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Médica vendia maquiagem no celular enquanto Benicio agonizava após erro com adrenalina em hospital de Manaus

A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de apenas 6 anos, revelou novos detalhes sobre o atendimento prestado à criança em um hospital de Manaus. Segundo o inquérito policial divulgado pelo programa Fantástico, da TV Globo, a médica responsável pelo caso estaria utilizando o celular para vender produtos de maquiagem enquanto o garoto apresentava complicações graves após receber uma dose incorreta de adrenalina na veia.

Conforme as apurações da polícia, a profissional acompanhava o estado de saúde do paciente na chamada sala vermelha da unidade hospitalar, mas ao mesmo tempo trocava mensagens pelo WhatsApp relacionadas à comercialização de cosméticos, incluindo negociações sobre preços, descontos e formas de pagamento.

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, afirmou que a postura demonstrou falta de atenção diante da gravidade da situação.

“É como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida”, declarou.

A mãe da criança, Joyce Xavier, também lamentou a conduta relatada no inquérito.

“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular, vendendo cosméticos e ignorando tudo o que estava acontecendo”, disse.

A médica, identificada como Juliana Brasil, foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual — quando há consciência do risco de provocar a morte. Ela também poderá responder pelos crimes de fraude processual e falsidade ideológica.

Erro na prescrição

Benício deu entrada na unidade hospitalar apresentando tosse seca e suspeita de laringite. Segundo a investigação, a médica prescreveu lavagem nasal, soro e três doses de adrenalina de 3 miligramas para aplicação endovenosa, em intervalos de 30 minutos.

A recomendação foi executada pela equipe de enfermagem. A polícia aponta que a prescrição foi feita sem a devida conferência, chegando até a técnica responsável pela aplicação do medicamento, mesmo após a mãe da criança alertar que o filho nunca havia recebido adrenalina diretamente na veia.

Mensagens obtidas pela investigação mostram que a própria médica reconheceu o erro logo após o agravamento do quadro clínico.

“O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição”, escreveu a profissional em conversa com o diretor do plantão.

Em outra mensagem, ela pede ajuda urgente à equipe da UTI.

“Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo EV. O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente.”

Após a aplicação da medicação, Benício foi levado às pressas para a sala de emergência. Segundo os pais, ele ainda estava consciente, mas apresentava grande dificuldade para respirar.

A criança morreu na madrugada do dia 23 de novembro de 2025.

Além da médica e da técnica de enfermagem envolvidas diretamente no atendimento, dois diretores do hospital também foram responsabilizados no inquérito policial.