Isolamento social pode ser gatilho para a depressão entre crianças e jovens, afirma psiquiatra

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Elas estão longe dos amigos, da escola, das atividades ao ar livre. A pandemia provocada pelo coronavírus trancou as crianças em casa – justo elas, que têm menos ferramentas para entender e lidar com tudo o que está acontecendo.

O resultado disso já começou a ser reportado por pais, mães e cuidadores em um grupo de whats app mais perto de você: crises de ansiedade, de insônia, de tristeza. Uma pesquisa feita pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro em parceria com o Hospital New Haven da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou o comportamento dos brasileiros entre março e abril de 2020 e apontou um aumento de 90% nos casos de depressão.

E se engana quem pensa que os pequenos estão livres desse mal que atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. “A criança pode, sim, ter depressão, mas é muito mais difícil diagnosticar, primeiro porque ela não sabe relatar, ainda está descobrindo seu mundo interno, tem dificuldade em reportar as emoções, os sentimentos”, explica o psiquiatra Sergio Perocco, gerente de neurociência da Janssen Brasil, que lançou nesse setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio, juntamente com o CVV, o Centro de Valorização da Vida, a Abrata, Associação Brasileira dos Amigos, Familiares e Portadores de Transtornos Afetivos e a Unifesp, entre outras instituições, o movimento ‘Falar inspira a vida’, que pretende promover um diálogo mais empático e livre de julgamentos sobre a depressão.

Segundo o psiquiatra, muitos adultos diagnosticados com a doença já poderiam ter sido tratados precocemente, quando crianças, se não houvesse tanto tabu em relação a depressão.

“A gente observa em muitos adultos deprimidos que a depressão percorreu a vida inteira desse sujeito, que se tivesse sido acompanhado por adultos mais observadores e acolhedores quando criança podia ter sido ajudado ainda na infância ou na adolescência”, garante. Ele conversou com o blog sobre depressão e suicídio entre crianças e jovens. Com informações de Estadão.