Início Brasil Polícia identifica dois do grupo que teria acorrentado adolescente em poste no...

Polícia identifica dois do grupo que teria acorrentado adolescente em poste no Flamengo

Pelo menos dois dos quatorze rapazes de classe média detidos na segunda-feira passada, acusados de tentar agredir dois adolescentes no Parque do Flamengo, participaram também na sexta-feira, dia 31, do ataque que resultou na agressão a quatro outros adolescentes, entre eles, o jovem, de 15 anos, que teve o pescoço acorrentado nu por uma tranca de bicicleta a um poste na Rua Rui Barbosa, zona sul do Rio. Eles foram reconhecidos por duas outras vítimas que prestaram depoimento à delegada Monique Vidal, na 9ª DP (Catete) e afirmaram que na mesma sexta-feira e por volta do mesmo horário foram cercadas no Aterro do Flamengo por um grupo de cerca de 30 motociclistas, que arrancaram suas roupas e os agrediram com capacetadas, correntes e tacos de beisebol. Uma das vítimas, um adolescente de 17 anos, conseguiu escapar e fugiu para dentro do Bar Sonho do Flamengo, que fica na esquina da Praia do Flamengo com a Rua Senador Vergueiro, onde foi salvo por frequentadores que impediram que os motociclistas continuassem a agressão.
O caso não havia sido registrado porque a viatura do 2º BPM (Botafogo) que recolheu o adolescente no bar, levou-o para a UPA de Botafogo para tratar dos ferimentos e de lá o deixou em um abrigo,conhecido como Carioca, na Lapa. Em seu depoimento, no entanto, esse adolescente reconheceu dois dos 14 jovens de classe média detidos na segunda-feira. Ele contou que era difícil fazer o reconhecimento do restante do grupo porque precisou manter as mãos sobre o rosto para se proteger dos golpes desferidos contra ele com capacetes. O outro afirmou que apanhou a correntadas nas pernas.
A polícia agora procura a quarta vítima do grupo para tentar identificar outros envolvidos. Embora posem de justiceiros pelo bairro, os dois jovens têm contra si, outras investigações por crimes de agressão, ameaça, furto e estupro. O outro responde por crime eleitoral e por uso de maconha.
— Eles já estavam respondendo pela tentativa de agressão, corrupção de menor e formação de quadrilha no caso de segunda-feira, e agora vão responder também por esse outro caso de lesão corporal e quadrilha. Eles já foram identificados pelas vítimas que souberam detalhar exatamente a participação de cada um deles no crime — afirmou a delegada Monique Vidal.
Segundo ela, como o grupo é bem maior do que os 14 detidos na segunda-feira, é possível que com a identificação de outros participantes que se possa localizar e também identificar agora os jovens que acorrentaram o adolescente na mesma sexta-feira.
— O limite entre pessoas de bem e criminosos é o respeito a lei. E eles ultrapassaram bastante esse limite — afirmou a delegada, que entrega o caso amanhã para o novo titular da 9ª DP, Roberto Nunes.
Ainda em seu depoimento, o adolescente que entrou nu no bar, contou que foi salvo pelos frequentadores:
— Primeiro eles pensaram que eu tinha entrado para roubar e me imobilizaram. Foi quando os caras que estavam me perseguindo tentaram me agredir de novo, mas os frequentadores não deixaram e chamaram a polícia para me socorrer — afirmou a testemunha.

 

Fonte: O Globo