Início Política Juíza permite que Lula vá ao velório do neto, mas proíbe que...

Juíza permite que Lula vá ao velório do neto, mas proíbe que ele fale, que seja filmado ou fotografado e que seja visto

247 – A bancada de senadores do PT divulgaram nota em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela perda do net Arthur Araújo Lula da Silva, de sete anos, que morreu nesta sexta-feira, 1, acometido por uma meningite meningocócica.

Os senadores Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE), Paulo Rocha (PA) e Jaques Wagner (BA) criticaram a decisão da juíza Carolina Lebbos, que apesar de permitir a ida de Lula ao velório e sepultamento do neto Arthur, impôs sigilo à logística e proibiu manifestações do ex-presidente.

“Mesmo agora, nesse momento asfixiante de dor, o perseguem e o humilham. No seu breve momento de liberdade, Lula não poderá falar; não poderá ser filmado ou fotografado; não poderá sequer ser visto. Querem que desapareça. Parece que querem matá-lo em vida”, dizem os congressistas.

Arthur será velado a partir das 22h desta sexta em São Bernardo do Campo. A cremação está prevista para o meio-dia de sábado.

De acordo com a JFPR, “a fim de preservar a intimidade da família e garantir não apenas a integridade do preso, mas a segurança pública, os detalhes do deslocamento serão mantidos em sigilo”.

A PF já havia recebido informalmente uma comunicação da Justiça para preparar a logística para a saída do ex-presidente e sua viagem a São Paulo. Um helicóptero espera na Superintendência da PF para levar Lula até base aérea de Curitiba, onde o ex-presidente embarcará em um avião cedido pelo governo do Paraná para a viagem.

Arthur foi internado esta manhã em um hospital em Santo André e faleceu próximo ao meio-dia. Lula foi informado da morte do neto no meio da tarde por um dos advogados, que conseguiu autorização da PF para entrar na unidade, que está fechada até a quarta-feira à tarde em função do Carnaval. Em seguida, Lula pôde falar com o filho Sandro Luís, pai de Arthur, por telefone.

Mais tarde, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, conseguiu também autorização para visitar o ex-presidente. A deputada contou que Lula chorou várias vezes e estava muito abatido. “Lula nos disse que devia ser proibido um pai enterrar um filho, um avô enterrar o neto”, disse Gleisi.

A família de Sandro Luís morava com o ex-presidente desde a morte de dona Marisa e nas redes sociais de Lula era comum ver fotos com o neto. Desde que o ex-presidente foi preso, em abril do ano passado, Arthur foi pelo menos duas vezes visitar o avô.

A defesa de Lula entrou ainda no início da tarde com o pedido para o ex-presidente ir ao velório, com base na lei de execuções penais que autoriza a saída de presos no caso de morte de cônjuge, ascendentes, descendentes e irmãos.

Em janeiro deste ano, quando seu irmão Vavá morreu de câncer, a juíza de execuções penais negou o pedido para que Lula fosse ao enterro com base em uma alegação da PF de que não teria condições de levar o ex-presidente até o local do enterro. Na época, o MPF se posicionou contra a saída do ex-presidente alegando também questões de segurança. Desta vez, o MPF foi a favor do cumprimento da lei.

Um recurso contra aquela decisão no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) também foi negado. Já na hora da cerimônia, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, autorizou que Lula se reunisse com a família em uma unidade militar em São Paulo, onde aconteceria a cerimônia. A decisão, no entanto, foi dada quando Vavá já estava sendo enterrado. Lula então se recusou a sair da cadeia sob as condições dadas por Toffoli (Com informações da Reuters).

Leia, abaixo, a nota da bancada do PT no Senado:

“Foi com muita dor e consternação que a Bancada do PT no Senado recebeu a notícia da morte do pequeno e doce Arthur, neto de Lula.

Há dias em que o sol não brilha, a música cessa e as estrelas somem. Há dias em que os oceanos secam junto com a alma. Há dias em que sobram lágrimas e faltam palavras. Há dias que precisariam ser extirpados do calendário humano.

Esse é um deles.

Lula não merece esse calvário interminável a que é submetido. Inocente, como Arthur, Lula deveria estar solto entre os seus, vivendo a vida de quem deu sua vida para tantas vidas. Deveria poder sorrir o seu sorriso fácil de criança.

Porém, pela injustiça de carrascos convictos, se vê obrigado a se reunir com os seus apenas na dor e no choro. Ou poderá, se deixarem e cumprirem a lei que não cumpriram antes. A lei que teimam em desobedecer, ao condenar um justo à injustiça.

Mesmo agora, nesse momento asfixiante de dor, o perseguem e o humilham. No seu breve momento de liberdade, Lula não poderá falar; não poderá ser filmado ou fotografado; não poderá sequer ser visto. Querem que desapareça. Parece que querem matá-lo em vida.

Mas aqueles que vivem no coração do povo não morrem nunca.

Depois destas noites mudas de oceanos secos e estrelas desaparecidas, virão dias luminosos. Dias de justiça e de alegria.

Dias de criança como Arthur. Dias de vovôs como Lula.

E lá, bem no alto, brilhará uma estrela.

Força, Lula!”

Bancada do PT no Senado Federal

Senador Humberto Costa (PT-PE)
Senador Rogério Carvalho (PT-SE)
Senador Paulo Rocha (PT-PA)
Senador Jaques Wagner (PT-BA)
Senador Paulo Paim (PT-RS)
Senador Jean Paul Prates (PT-RN)