As constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica no Estado voltaram a dominar os debates na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), durante a Sessão Plenária desta quarta-feira (2/9). Deputados estaduais usaram a tribuna para questionar a qualidade dos serviços prestados pela Âmbar Energia e criticaram o direcionamento dado pela concessionária aos consumidores locais.
O deputado João Luiz (Republicanos) levou ao Plenário Ruy Araújo uma recomendação veiculada nos canais oficiais da concessionária, que orienta a população a substituir o uso de aparelhos de ar-condicionado por ventiladores como medida de economia. A declaração provocou indignação, considerando que o Amazonas atravessa o período de verão amazônico, marcado por recordes diários de temperatura e pelo impacto do fenômeno El Niño.
“No calor que o Amazonas enfrenta, com o El Niño castigando nosso povo, a orientação da empresa Âmbar Energia é desligar os condicionadores de ar e ligar ventiladores”, destacou João Luiz, apontando que a recomendação evidencia o desconhecimento da empresa sobre a realidade climática e as necessidades da região.
O parlamentar também denunciou uma situação crítica no município de Amaturá (distante 909 quilômetros da capital), onde moradores sem capacitação técnica estariam executando a limpeza da rede elétrica, retirando galhos e outros detritos dos cabos de energia, em troca de alimentação fornecida pela própria concessionária.
A precariedade do serviço em todo o interior do Estado também foi reforçada pelo deputado Sinésio Campos, que relatou falhas constantes no abastecimento em diversos municípios. Na condição de presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Aleam, o parlamentar confirmou a realização de uma Audiência Pública nesta quinta-feira (3/9), às 10h, no miniplenário Cônego Azevedo, para cobrar esclarecimentos dos representantes da empresa diante das frequentes queixas da população.
O deputado Wilker Barreto (PSD) cobrou transparência sobre a capacidade financeira e o plano de expansão da concessionária para o setor elétrico amazonense. “Eu não acredito que uma empresa com toda essa experiência tenha assumido esta concessão sem um planejamento a médio e longo prazo”, pontuou Barreto, enfatizando que a empresa precisa apresentar respostas imediatas aos consumidores.






