O traficante de drogas Marcelo Soares de Almeida, integrante de uma facção criminosa, morreu ao reagir à ação da polícia, que foi até sua casa para cumprir dois mandados — um de prisão preventiva pelo crime de estupro e outro de busca e apreensão.
A ação policial ocorreu na manhã de quarta-feira (25), na comunidade Santo Antônio, localizada no rio Comprido, durante a operação “Ponto Final”, deflagrada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) em conjunto com o Distrito Integrado de Polícia (DIP) do município de Urucará, a 280 quilômetros de Manaus.
De acordo com o delegado do DRCO, Mário Paulo, Marcelo já vinha sendo investigado por envolvimento com o tráfico interestadual de drogas. “A casa de Marcelo na comunidade funcionava como entreposto do tráfico de drogas”, afirmou o delegado.
Conforme Mário Paulo, Marcelo recebia em sua casa traficantes que chegavam em lanchas rápidas e blindadas, carregadas com entorpecentes. Ele fornecia abrigo, alimentação e combustível para que seguissem viagem ao estado do Pará, ficando com parte das drogas como pagamento. O criminoso também era investigado pelo 45º DIP por estupros e homicídios.
Os policiais foram à comunidade para cumprir os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em desfavor de Marcelo, relacionados ao estupro de uma adolescente de 13 anos, que ficou grávida em decorrência do abuso.
Segundo o delegado Mário Paulo, Marcelo reagiu à abordagem policial, utilizando uma pistola e atirando contra os investigadores. Os policiais revidaram e atiraram contra ele.
Marcelo foi alvejado, socorrido e levado ao hospital da cidade, mas não resistiu e morreu na unidade hospitalar do município. O delegado informou que as investigações continuarão para identificar os demais membros da organização criminosa liderada por ele.
A denúncia de estupro foi feita em janeiro deste ano na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), pela mãe da vítima. A mulher desconfiou da gravidez da filha e a levou para Manaus, onde exames confirmaram a gestação.
Questionada, a adolescente revelou ter sido abusada pelo próprio tio, Marcelo, em setembro de 2024, em uma roça em Urucará, enquanto a mãe estava em tratamento de saúde em Manaus. Ela nunca havia contado sobre os abusos porque era ameaçada: Marcelo dizia que, se ela falasse com alguém, ele mataria tanto ela quanto o irmão mais novo.
O delegado-geral da Polícia Civil, Bruno Fraga, afirmou que o DRCO já vinha investigando rotas logísticas de transporte de drogas do Alto Rio Solimões para Manaus e para o Pará.
Segundo Fraga, quando os policiais chegaram para cumprir as ordens judiciais, Marcelo atirou contra eles. “A polícia sai para fazer a prisão, e quando o alvo reage, vai morrer. Não adianta argumentar, porque será balela. Se reagir contra a polícia, o final será esse. Somos enérgicos, preparados para isso. Saímos para cumprir a lei e nossos policiais vão retornar para suas famílias. Somos uma ferramenta da sociedade e, sempre que acontecer isso, a polícia vai agir e dar uma resposta à sociedade”, declarou.