Djidja Cardoso: o que se sabe e o que falta saber sobre a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido

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Djidja Cardoso, empresária e ex-sinhazinha do Boi Garantido, foi encontrada morta na última terça-feira (28), dentro da própria casa, em Manaus. A principal suspeita é que ela teve uma overdose de cetamina. Ela, o irmão e a mãe já eram investigados há mais de um mês por envolvimento em um grupo religioso que forçava o uso da droga para alcançar uma falsa plenitude espiritual.

Ampolas da droga foram encontradas na casa em que Djidja morava e em salões de beleza da família. Mãe, irmão e outros três funcionários da ex-sinhazinha foram presos pela Polícia Civil, suspeitos de envolvimento no esquema.

Quem era a vítima?

Djidja Cardoso tinha 32 anos. Entre 2016 e 2020, encantou os torcedores do Garantido ao representar a sinhazinha da fazenda, personagem filha do dono da fazenda, que representa a história branca dentro do auto do boi no Festival Folclórico de Parintins.

Após se aposentar como sinhazinha, passou a trabalhar ao lado da mãe e do irmão no comando de uma rede de salão de beleza no Amazonas.

Meses antes da morte, Djidja revelou lutar contra a depressão. No aniversário de 32 anos, no dia 3 de fevereiro, ela publicou nas redes sociais um vídeo em que comemorava a data com amigos e familiares, onde compartilhou a notícia.

“Só tenho a agradecer, principalmente por ter passado e superado esses meses doente (depressão, gastrite, etc). Em breve, quando me sentir confortável, eu conto o meu testemunho de como me recuperei e quis viver novamente”, diz Djidja na publicação.
Quais as circunstâncias da morte?

Djidja Cardoso foi encontrada morta dentro da própria residência, onde morava com a mãe e o irmão. Segundo uma fonte próxima à família, que não quis se identificar, parentes tentavam contato com ela por telefone e não conseguiam, então resolveram ir à casa da família. Ao entrar no imóvel, por volta das 6h (horário de Brasília), encontraram o corpo sobre a cama.

De acordo com a polícia, a suspeita é que a morte da ex-sinhazinha tenha sido causada por overdose de cetamina, pois o corpo dela foi encontrado pelos policiais com sinais de uso excessivo da substância. A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de necropsia realizado pelo Instituto Médico Legal (IML).

Por que mãe, irmão e funcionários foram presos?

Dois dias após a morte, a Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Mandrágora, que resultou na prisão de Cleusimar e Ademar Cardoso, mãe e irmão de Djidja, além de Verônica Seixas, Claudiele da Silva e Marlisson Vasconcelos, todos funcionários da família.

De acordo com as autoridades, os presos eram responsáveis por fornecer e utilizar de maneira indiscriminada a droga cetamina, em rituais religiosos.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa de Djidja, em unidades da rede de salão de beleza administrado pela família e na clínica veterinária onde a droga era obtida. Nos locais foram apreendidas ampolas de cetamina, dezenas de seringas, agulhas, aparelhos celulares, computadores e documentos.

O grupo passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. Eles vão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, por colocar em risco a saúde ou a vida de terceiros, falsificação, corrupção, adulteração de produtos destinados a fins terapêuticos e medicinais, aborto induzido sem o consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal.

Como funciona o grupo religioso da família?

Segundo a polícia, os cinco presos são apontados como integrantes de um grupo religioso denominado “Pai, Mãe, Vida”, que induzia os seguidores a acreditar que, com a utilização da droga cetamina, seria possível transcender para outra dimensão e alcançar a salvação espiritual.

Os líderes seriam Ademar, Cleudimar e a própria Djidja. Eles acreditavam que Ademar é a representação de Jesus Cristo, Cleudimar seria Maria, enquanto Djidja era vista como a personificação de Maria Madalena.

Os rituais do grupo aconteciam dentro dos salões de beleza da família e na casa onde viviam. Verônica, Claudiele e Marlisson seriam os responsáveis por fornecer a droga ao grupo e captar novos membros.

A Polícia Civil informou que o grupo já vinha sendo investigado há pelo menos 40 dias antes da morte de Djidja.

O que é cetamina?

A substância cetamina (também grafada como quetamina ou ketamina, por causa de sua origem no inglês – ketamine) é um anestésico de uso humano e veterinário que se tornou uma droga ilícita na década de 1980.

O fármaco é considerado um anestésico dissociativo, isto é, que causa efeitos alucinógenos, sensação de bem-estar e tem potencial sedativo quando usado como droga recreativa.

O primeiro caso da utilização da cetamina como droga (ou seja, para fins recreativos) foi registrado nos anos 1970, nos Estados Unidos. Na década de 1990, o uso se disseminou no Reino Unido, especialmente em clubes noturnos e festas conhecidas como raves.

No Brasil, o tráfico utiliza essa substância para produzir uma droga sintética traficada com o nome de “special k”, “Key”, “Keyla” ou “Keta”.

O que diz a defesa?

A defesa de Ademar, Cleusimar e Verônica informou que “está tomando todas as providências cabíveis no sentido de resguardar a integridade física e psíquica de seus constituintes em decorrência da dependência química”.

A defesa de Claudiele disse que a funcionária é inocente de todas as acusações, e que “jamais forneceu, comprou, administrou ou aplicou quaisquer substâncias psicotrópicas”, além de afirmar que ela é vítima do grupo religioso, o qual seria obrigada pelos patrões a participar.

A defesa de Marlisson informou que o funcionário não possui qualquer envolvimento com o falecimento de Djidja Cardoso e o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, embora confirme a crença religiosa e dependência química da família Cardoso. “Reiteramos as declarações de que Marlisson não possui qualquer envolvimento com o tráfico de drogas, nunca vendeu ou comprou a substância cetamina (ketamina)”, disse, em nota. Com G1 Am.

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