Crime eleitoral – Omar faz campanha antecipada para declarar apoio a José Melo

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“Vamos juntos nessa nova luta, nessa nova caminhada. Cumprimentar aos vereadores de Manaus que nos honram com as suas presenças. Cumprimentar a primeira dama, Edilene, que está aqui presente”. Assim se referiu Omar Aziz a José  Melo, em evento eleitoreiro realizado à socapa da Lei eleitoral. Se houvesse “Juízes” em Manaus, isso não aconteceria, pois o ex-governador não fez qualquer esforço em dizer o porquê dessa lhaneza para com os ditos vereadores presentes.

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Lá pelas tantas ele confessou, mais sutil que um trator: “minha preocupação nesse momento não é eleitoral, não com a minha eleição”. É uma negativa matreira, convenhamos, partindo de quem quer enganar a quem gosta de ser enganado, isto é, a Justiça eleitoral.

Não contente com a patranha acima, segue na verborragia torta: “quero conversar e vai ser dessa forma que vamos caminhar. Conversando, ouvindo e, principalmente, sempre sendo guiado pelo nosso bom Deus”.

Fora o pecado de usar o nome de Deus em vão, Omar segue propondo que ele sabe “conversar”, deixando nas entrelinhas que o o seu ex-líder Eduardo Braga não o sabe.

No entanto, ele soube mandar “conversa” aos ouvidos daquele que, hoje, segundo ele, não teria capacidade parlatório, apenas de ouvir e cair nas suas lábias quando isso lhe foi conveniente.

Esquecendo-se de que não estava em evento eleitoreiro, Omar segue a parlapatice: “minha preocupação nesse momento é apoiar a candidatura de um homem que tem o coração bom”.

Com isso, sugere que o outro não o tenha, pois não?

O que seria, contudo, “coração bom” somente o próprio Omar poderia esclarecer. Um governante deve governar “com o coração” ou “com a razão”, ou com ambos?

Neste ponto, o homem se sai com a ideia estapafúrdia de que o eleitor deve votar em quem já foi “lascado” como o povo o é. Sugere que Melo tenha o direito de continuar sendo governador por que seria “um como centenas de milhares de amazonenses que ainda precisam de uma oportunidade”.

É algo assim lacrimoso. Para dar dó.

Traz à lembrança o fato de Melo já estar aí desde priscas eras, sugerindo “experiência”, “Esse homem (Melo) não começou a vida dele outro dia”. E retorna à lenga-lenga do “lascado do povo”. “Ainda jovem foi uma pessoa que passou por muitas necessidades, assim como muitos amazonenses ainda passam por necessidades. Foi pensando em alguém que já passou por muitas dificuldades na vida é que eu nesse momento, o meu partido e os meus correligionários damos apoio”.

Ah, bom. Então por que não fazer um concurso de “lascação” para apoiar “o mais lascado de todos”? Isso é conversa para boi dormir.

Omar, então, deixa escapar, em rasgado autoelogio, mais falso que nota de 3 reais. “Em momento algum eu disse que, como governador, governei só. Nunca. Governei ao lado do professor José Melo”. Falso e magnânimo ao mesmo tempo, não?

Bem, essa é a ética do homem.

Ser leal com a sua grei de ocasião.

Faz o repto tonitroante, digno de quem se tornou o Grande Líder, esquecendo de quem lhe apoiou mesmo diante de um turbilhão de resistência a seu nome, que sofria uma enxurrada de denúncias das mais severas, mas que teve assim mesmo a confirmação do seu nome ao governo por parte de Eduardo Braga, governador na época, o qual nunca lhe negou apoio mesmo correndo ele próprio o risco de desgaste eleitoral.

Confirmando que o evento era apenas para “celebrar a páscoa”, Omar conclui apoteoticamente: “vamos construir uma chapa forte para ganhar a eleição. (…) Estamos construindo um arco forte de aliança e qual partido indicará o vice isso é de menos”.

Magnânimo esse Omar, ainda mais quando se sabe o valor que pode ter um VICE, ele próprio tendo sido alçado da condição, de vice em vice, para a ribalta da política amazonense, assim, num passo de mágica. E arremata num misto de beatitude popular e sacripanta: “o José Melo conhece bem o sofrimento do nosso povo e será com esse conhecimento que vamos ganhar as eleições, ele para o governo e eu para o senado”.

José Melo, então, agradece ao parlapatão, altaneiro como uma árvore de castanheira anã: “OMAR, VOCÊ É O RIO NEGRO, EU O SOLIMÕES”.

Hummm!

Metáforas são perigosas, pois, assim como a ética frouxa praticada abaixo da linha do equador, pode ser interpretada das mais diversas maneiras.

Pode ser que, inconscientemente, Zé Melo queira ter dito que “ambos não se misturam”. Ou que “correm juntos por um pouco e, mais na frente, a água do Negro, mais pesada, passa por baixo, deixando a água do Solimões, branca, mais leve, passar por cima, de maneira dissimulada”.
Não esquecendo de que ambos os rios correm “para o Oceano”, o qual se torna o estuário de todas as águas. Como Eduardo Braga.

 

Campanha antecipada

 

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