Vacina do sapo é patenteada por várias empresas estrageiras (O Amazonas que o turista não vê – Parte V)

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“Não faz tempo que perdemos para os grandes grupos estrangeiros a andiroba a copaíba e o cupuaçu, que anos depois voltou a ser amazônico graças à interferência da Embaixada Brasileira”, lembra Jean. “Agora chegou a vez do kambô. Amanhã, o que haveremos de perder se tudo o que temos é pirateado no virar de cada dia”? indaga

O veneno do sapo verde ou phyllomedusa bicolor, amplamente usado no vale no Juruá, pelos índios katukina , já não pertence à Amazônia.

O veneno, conhecido, também, como magia do kambô, uma substância que os katukina acreditam servir para tirar a má sorte, ou como dizem, a panema, foi patenteado pelo menos por meia dúzia de empresas estrangeiras, como a norte-americana University of Kentucky Research Foundation (Lexington, KY); ZymoGenetics (Seattle, WA), Mor, Amram (Jerusalem, IL), Astra AB, IAF Biochem INT (CA) e Dainippon Pharmaceut Co Ltd.

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O alerta é do policial Paulo Jean que há 15 anos aplica a vacina em Manaus, depois de um estágio de vários dias na mata de Novo Airão (AM) com o velho cacique de nome Luziaro.

Embora o phyllomedusa bicolor ocorra em quase todos os países da Amazônia, como as Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, Jean afirma que a cultura da vacina do sapo é própria dos Katukina – os únicos que até o momento têm o conhecimento dos efeitos terapêuticos da substância e o domínio de seu emprego.

“Não faz tempo que perdemos para os grandes grupos estrangeiros a andiroba a copaíba e o cupuaçu, que anos depois voltou a ser amazônico graças à interferência da Embaixada Brasileira”, lembra Jean. “Agora chegou a vez do kambô. Amanhã, o que haveremos de perder se tudo o que temos é pirateado no virar de cada dia”? indaga.

O veneno do sapo é considerado pelos Katukina, seringueiros e, mais recentemente, por alguns curandeiros da cidade de Cruzeiro do Sul e Rio Branco, no Acre, medicinal para vários problemas de saúde, embora não exista comprovação terapêutica pela ciência.

No Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), por exemplo, tudo o que se refere ao veneno do sapo, sobretudo quanto à sua ação terapêutica, é visto com reserva.

“Não temos notícia de que a química dessa substância seja do domínio da pesquisa”, comenta uma bióloga, especialista em anuros.

“Tudo o que se sabe do veneno do sapo é que é uma substância alucinógena, comumente usada entre os Katukina”, completa.

A vacina do sapo é considerada um remédio para muitos males pelas populações tradicionais do vale do Juruá, curando desde amarelão até dores em geral.

Hoje, a vacina do sapo é utilizada também por seringueiros e vem sendo aplicada por alguns curandeiros nas cidades de Cruzeiro do Sul/AC e Rio Branco/AC.

O efeito da vacina é curto, porém muito forte. “Uma forte onda de calor, que sobe pelo corpo até a cabeça”.

A dilatação dos vasos sanguíneos parece provocar uma circulação mais veloz do sangue, deixando o rosto vermelho e, seguida fica pálido, a pressão baixa, podendo provocar náuseas, vomito e/ou diarréia.

Durando cerca de 15 minutos. Sensação desagradável, que aos poucos retorna a normalidade, e a pessoa se sente mais leve, como se tivesse feito uma boa limpeza, causando uma maior disposição”.

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