Meninas que fazem programa sexual por até R$ 1,00 (O Amazonas que turista não vê – Parte II)

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“Se me dão dinheiro eu transo”, comenta La Nina. Lé Petit diz que topava carícias íntimas  “Eu masturbo e faço sexo oral. Tenho medo que algo ruim aconteça comigo”

O delegado de Benjamin Constant, sub-PM Silva Cabral (falecido), sabia que recuperar o sistema de segurança no município, restabelecendo a ordem pública e a tranquilidade à população, seria a mais dura e difícil missão de sua longa experiência policial.

Silva Cabral, não estava errado.

Nascido e criado em Benjamin Constant, o novo delegado desembarcou na cidade consciente que o combate à droga – a cocaína em particular -,  o uso indiscriminado de bebida alcoólica e sobretudo, a prostituição infantil, seriam seus principais desafios.

E não demorou à declarar guerra à prostituição infantil – considerada uma das principais chagas sociais no município.

Antes de completar um mês no cargo, já tinha definido o primeiro: o clube “Suave Veneno”, uma casa flutuante às margens do rio Javari, um dos afluente do rio Solimões, onde  bebidas alcoólicas, drogas e a prostituição infantil corriam livremente.

Duas frequentadoras do flutuante – Le Peti, 11 anos, e La Nina, 10 (todos os nomes usados na reportagem são fictícios) -, declararam sem nenhuma dificuldade que estavam disponíveis para um programa até mesmo por R$ 1,00.

“Se me dão dinheiro eu transo”, comenta La Nina. Lé Petit disse que topava carícias íntimas, mas não “transava” com medo de algo de “ruim”. “Eu masturbo e faço sexo oral” revela a menina.

Na região da tríplice fronteira, entre Brasil, Peru e Colômbia, a prostituição infantil é algo que acontece corriqueiramente.

Em Benjamin Constant é comum meninas de 11 anos, com pequenas bolsas à tiracolo, entrarem nas lojas comerciais – a maioria mantida por peruanos -, atrás de um programa sexual.

Na feira da Praça da Bandeira, La Tica e Pequetita, meninas que poderiam estar na escola, entram em uma loja e, no setor de roupas femininas, começam a olhar.

– Vocês vão ficar com essas peças?”, quis saber o proprietário do estabelecimento.

– Falta isso”, respondeu La Tica com os dedos indicador e polegar, insinuando que estavam sem dinheiro.

Em conversa com a reportagem, elas revelaram que faziam programa sexual porque suas famílias não tinham condições de alimentá-las e nem de comprar as coisas que gostam, como roupas de marca, joias e bijuterias.

La Tica, a mais velha, tem apenas onze anos. Ela conta que as duas preferem fazer programas durante o dia porque, à noite, a polícia faz batida nas ruas e que, se estiverem acompanhadas, são presas com o acompanhante.

Observação: a foto (silhueta) da reportagem foi aprendida pelo então delegado Domingos e cedida ao site.

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