Após Manaus atingir o pior nível na qualidade do ar em 2026, em meio à fumaça de incêndios, o governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil) informou nas redes sociais que sugeriu ao governo Lula o endurecimento das penas contra queimadas ilegais, além de citar a contratação de 150 brigadistas para reforçar o efetivo do Corpo de Bombeiros neste período.
Ele parabenizou o Corpo de Bombeiros do Amazonas pela atuação durante a temporada do fogo e disse ter reforçado o órgão de segurança desde que assumiu o governo estadual, há quatro meses, após o ex-governador Wilson Lima (União) renunciar ao cargo para concorrer ao Senado.
Ao longo desta quarta-feira, o cenário crítico em Manaus e cidades do interior ganhou as páginas do jornal Folha de São Paulo, de maior circulação no país, e matéria no Jornal Hoje, da TV Globo.
Na campanha de Roberto Cidade, há receio de que o tema seja usado por adversários na disputa ao governo do estado. Até a noite desta quarta-feira, o único candidato que havia mencionado a fumaça em publicação nas redes sociais havia sido Cabo Daciolo (Mobiliza), com um vídeo que reúne registros de ocorrências no estado. Por outro lado, publicações de terceiros no Instagram repercutiram ao longo do dia, com um dos posts ultrapassando um milhão de visualizações em 14 horas.
Ações X cenário
O governo do Amazonas estabeleceu um Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos, em razão do El Niño. Também publicou dois decretos, o de n.º 55.339, que proíbe o uso do fogo no estado por 120 dias, e o decreto n.º 55.338, que instaurou o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas. O Corpo de Bombeiros do estado diz que dobrou de 11 para 25 bases em municípios do interior e capital, além de ter alcançado 43 mil pessoas com ações de educação ambiental.
Enquanto isso, os moradores de Manaus acordaram, nesta quarta-feira, sob a pior camada de fumaça de 2026. Às 6h, os sensores de qualidade do ar do aplicativo Selva, ferramenta criada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para acompanhar a poluição atmosférica, apontaram 286,2 µg/m³ na zona sul da capital, patamar classificado como péssimo, o mais grave da escala usada pelo aplicativo.
O sul do Amazonas concentra a maior parte das ocorrências. Com 944 focos, Apuí é o município com mais registros no Estado e ocupa o terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás somente de Altamira (1.241), no Pará, e de Lagoa da Confusão (1.032), no Tocantins. Também no Amazonas, Novo Aripuanã aparece na nona posição, com 641 focos de queimadas neste ano.
Fonte: Acrítica









