24.7 C
Amazonas
sexta-feira, dezembro 4, 2020
Compartilhe:

Marcelo Ramos, o bom julgador

*Por Hiel Levy

Marcelo Ramos fez sucesso na eleição do ano passado. Teve quase 180 mil votos e provocou o segundo turno. Foi, sem dúvida, um dos vetores que ajudou na reeleição do governador José Melo – os outros o Fantástico deste domingo deve elucidar.

O jovem político desponta hoje como uma promessa para os próximos embates eleitorais e se movimenta neste sentido.

Há traços na personalidade de Marcelo, entretanto, que merecem uma análise mais objetiva.

Vamos reviver a história.

Marcelo Ramos surgiu para a política nas fileiras do PC do B, assim como tantos outros políticos de destaque que já escreveram o próprio nome na história do Estado – vide Omar Aziz, João Pedro, George Tasso, entre outros.

Jovem advogado, bom orador, foi lançado pelos comunistas para concorrer à Câmara Municipal de Manaus em 2004 e logrou êxito. Destacou-se imediatamente em meio à mediocridade reinante em sua volta.

Foi aí que começou a surgir um traço bastante nítido de sua personalidade: a ambição. Marcelo aproximou-se do então prefeito Serafim Corrêa, percebeu que poderia ocupar um lugar de destaque na administração deste e passou a cavar esta posição, o que o desgastou com a cúpula de seu partido, que fazia oposição ao chefe do Executivo Municipal.

O casal de líderes comunistas Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin passou de benfeitor do jovem promissor a seu algoz. Marcelo mobilizou a mídia contra eles, se dizendo perseguido internamente. Arrumou o pretexto perfeito para abandonar a legenda que o elegeu e embarcar de mala e cuia na canoa de Serafim, que o nomeou presidente da Empresa Municipal de Transportes Urbanos, – atual SMTU – e o filiou ao PSB.

No cargo, não fez nada de relevante. Anunciou uma licitação para renovar o sistema de transporte da cidade e criou um consórcio, que anunciava como a redenção do setor, mas que na verdade se mostrou apenas uma grande farsa. Os mesmos empresários de antes continuaram atuando. Mudaram apenas o nome das próprias empresas. Nada de novo. O povo continuou andando em ônibus lotados, a maioria com muita rodagem, as paradas e terminais continuaram cheios e os tubarões cada vez mais ricos.

Mas Marcelo, o nosso herói, usou bem a exposição que o cargo lhe deu e os contatos que fez, tanto que, em 2010, elegeu-se deputado estadual.

No novo mandato, a habitual competência para esgrimar palavras se mostrou mais afiada do que nunca. Marcelo novamente aproveitou a mediocridade reinante e se estabeleceu, apesar de fazer uma oposição “meia boca” ao governador Omar Aziz, com quem vez por outra trocava uma ideia, longe dos holofotes.

A ambição mais uma vez o impulsionou para uma empreitada de sucesso. Já um tanto desgastado no PSB, onde não via mais perspectiva de futuro, lançou-se inteligentemente candidato a governador, deixando o caminho aberto para que Serafim Corrêa escolhesse o cargo legislativo que quisesse disputar e garantindo o apoio do partido à sua “aventura”.

Agora, alçado ao pedestal, articula-se para sair do PSB, já tratando Serafim e companhia como passado. Não tem tempo a perder o nosso herói. Flerta com Artur Neto e José Melo, os donos do poder, faz incursões no proletariado, sempre com uma câmera à mão, e não perde a chance de fustigar os adversários.

Não gostou que eu tenha publicado o áudio em que elogia Eduardo Braga, o nome que ele escolheu como principal adversário. E me julgou por isso. Assim como julgou e condenou Eron, Vanessa, Serafim e todos os que se atreveram a contestá-lo ou ousaram atrapalhar sua caminhada ao Olimpo.

É um bom julgador esse Marcelo. E todo bom julgador por si julga os outros, como dizia minha amada e saudosa mãe.

Como estou condenado, me resta pedir perdão ao meu algoz pelo mau jeito. Desculpe, Marcelo, se o atrapalhei nas articulações. Desculpe se joguei luz sobre seus movimentos nos bastidores. E sobretudo me desculpe por tudo o que ainda farei para mostrar quem você é de verdade.

Marcelo Ramos fez sucesso na eleição do ano passado. Teve quase 180 mil votos e provocou o segundo turno. Foi, sem dúvida, um dos vetores que ajudou na reeleição do governador José Melo – os outros o Fantástico deste domingo deve elucidar.

O jovem político desponta hoje como uma promessa para os próximos embates eleitorais e se movimenta neste sentido.

Há traços na personalidade de Marcelo, entretanto, que merecem uma análise mais objetiva.

Vamos reviver a história.

Marcelo Ramos surgiu para a política nas fileiras do PC do B, assim como tantos outros políticos de destaque que já escreveram o próprio nome na história do Estado – vide Omar Aziz, João Pedro, George Tasso, entre outros.

Jovem advogado, bom orador, foi lançado pelos comunistas para concorrer à Câmara Municipal de Manaus em 2004 e logrou êxito. Destacou-se imediatamente em meio à mediocridade reinante em sua volta.

Foi aí que começou a surgir um traço bastante nítido de sua personalidade: a ambição. Marcelo aproximou-se do então prefeito Serafim Corrêa, percebeu que poderia ocupar um lugar de destaque na administração deste e passou a cavar esta posição, o que o desgastou com a cúpula de seu partido, que fazia oposição ao chefe do Executivo Municipal.

O casal de líderes comunistas Eron Bezerra e Vanessa Grazziotin passou de benfeitor do jovem promissor a seu algoz. Marcelo mobilizou a mídia contra eles, se dizendo perseguido internamente. Arrumou o pretexto perfeito para abandonar a legenda que o elegeu e embarcar de mala e cuia na canoa de Serafim, que o nomeou presidente da Empresa Municipal de Transportes Urbanos, – atual SMTU – e o filiou ao PSB.

No cargo, não fez nada de relevante. Anunciou uma licitação para renovar o sistema de transporte da cidade e criou um consórcio, que anunciava como a redenção do setor, mas que na verdade se mostrou apenas uma grande farsa. Os mesmos empresários de antes continuaram atuando. Mudaram apenas o nome das próprias empresas. Nada de novo. O povo continuou andando em ônibus lotados, a maioria com muita rodagem, as paradas e terminais continuaram cheios e os tubarões cada vez mais ricos.

Mas Marcelo, o nosso herói, usou bem a exposição que o cargo lhe deu e os contatos que fez, tanto que, em 2010, elegeu-se deputado estadual.

No novo mandato, a habitual competência para esgrimar palavras se mostrou mais afiada do que nunca. Marcelo novamente aproveitou a mediocridade reinante e se estabeleceu, apesar de fazer uma oposição “meia boca” ao governador Omar Aziz, com quem vez por outra trocava uma ideia, longe dos holofotes.

A ambição mais uma vez o impulsionou para uma empreitada de sucesso. Já um tanto desgastado no PSB, onde não via mais perspectiva de futuro, lançou-se inteligentemente candidato a governador, deixando o caminho aberto para que Serafim Corrêa escolhesse o cargo legislativo que quisesse disputar e garantindo o apoio do partido à sua “aventura”.

Agora, alçado ao pedestal, articula-se para sair do PSB, já tratando Serafim e companhia como passado. Não tem tempo a perder o nosso herói. Flerta com Artur Neto e José Melo, os donos do poder, faz incursões no proletariado, sempre com uma câmera à mão, e não perde a chance de fustigar os adversários.

Não gostou que eu tenha publicado o áudio em que elogia Eduardo Braga, o nome que ele escolheu como principal adversário. E me julgou por isso. Assim como julgou e condenou Eron, Vanessa, Serafim e todos os que se atreveram a contestá-lo ou ousaram atrapalhar sua caminhada ao Olimpo.

É um bom julgador esse Marcelo. E todo bom julgador por si julga os outros, como dizia minha amada e saudosa mãe.

Como estou condenado, me resta pedir perdão ao meu algoz pelo mau jeito. Desculpe, Marcelo, se o atrapalhei nas articulações. Desculpe se joguei luz sobre seus movimentos nos bastidores. E sobretudo me desculpe por tudo o que ainda farei para mostrar quem você é de verdade.

*Hiel Levy é jornalista profissional

Related Articles

Deputado Roberto Cidade é o novo presidente da Aleam para 2021/22

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), elegeu na tarde da quinta-feira (3) os integrantes da Mesa Diretora para o 2° biênio da 19ª Legislatura. O...

Casarão da Inovação Cassina sedia primeira edição do ‘Innovation Day’

Como parte das ações de apoio e fomento ao ecossistema inovador, o Casarão da Inovação Cassina, da Prefeitura de Manaus, no centro histórico da...

Josué destaca que auxílio emergencial do Governo Bolsonaro chegou a 58,7% famílias do Amazonas

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto (PRTB) destacou na quinta-feira (3), que o Governo Bolsonaro, por meio, do Ministério...

Stay Connected

21,152FansLike
0FollowersFollow

Latest Articles

Deputado Roberto Cidade é o novo presidente da Aleam para 2021/22

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), elegeu na tarde da quinta-feira (3) os integrantes da Mesa Diretora para o 2° biênio da 19ª Legislatura. O...

Casarão da Inovação Cassina sedia primeira edição do ‘Innovation Day’

Como parte das ações de apoio e fomento ao ecossistema inovador, o Casarão da Inovação Cassina, da Prefeitura de Manaus, no centro histórico da...

Josué destaca que auxílio emergencial do Governo Bolsonaro chegou a 58,7% famílias do Amazonas

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Josué Neto (PRTB) destacou na quinta-feira (3), que o Governo Bolsonaro, por meio, do Ministério...

SES-AM reduz em até 85% tempo de permanência de pacientes em prontos-socorros com o ‘Lean nas Emergências’

Os prontos-socorros da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) apresentaram quedas no tempo de permanência de pacientes de 32% a 85%, após a adoção...

Patrick de Paula tem lesão muscular na coxa direita e vira desfalque no Palmeiras

OPalmeiras informou nesta quinta-feira que exames detectaram uma lesão muscular na coxa direita de Patrick de Paula. O jovem meio-campista marcou o primeiro gol...