David Almeida se lança ao governo e defende ex-assessora presa

Foto: Jeiza Russo

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), anunciou sua pré-candidatura ao governo do Amazonas durante encontro com apoiadores nesta segunda-feira (23). Na coletiva de imprensa, o chefe do Executivo Municipal criticou supostas calúnias e ataques contra ele em virtude da Operação Erga Omnes, que culminou com a prisão de oito pessoas no Amazonas, incluindo Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito e de outros políticos. 

“Hoje completa 30 dias que eu perdi meu filho, mas nem por isso eu vou me acovardar. A partir desse momento, hoje e agora, eu anuncio a minha pré-candidatura ao governo do estado do Amazonas”, disse.

O prefeito já havia sido anunciado como pré-candidato pelo presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, durante a recepção do secretário Sabá Reis na sigla. 

No evento dessa segunda, o prefeito de Manaus criticou indiretamente a gestão do governador Wilson Lima (União), pré-candidato ao Senado, afirmando que Manaus “tem uma das melhores educações do Brasil”, enquanto os índices do interior do Amazonas estão baixos, além de fazer comparações entre a saúde e a infraestrutura da capital e do interior, sob responsabilidade do estado.

David Almeida também fez uma série de elogios ao seu vice-prefeito, Renato Junior (Avante), presente na cerimônia, afirmando que os dois fariam a maior parceria da história entre o governo estadual, caso ele seja eleito, e a Prefeitura de Manaus sob o comando do vice a partir dos próximos meses.

“Eu saio da prefeitura com tranquilidade, com gratidão a Deus e ao povo, deixando a prefeitura na mão de um homem leal, de um homem decente e de um homem de valor. Você não em preço, você tem valor. Você é meu irmão”, disse.

David Almeida lembrou que tem até o dia 4 de abril para entregar o cargo ao vice-prefeito e se desincompatibilizar para poder concorrer ao governo do Amazonas. Segundo ele, iria “arrumar tudo” antes de sair da prefeitura e, após isso, passaria a viajar pelos municípios do interior “para que nós possamos escrever um plano de governo junto das comunidades”.

“Se eu chegar ao governo do Amazonas, você vai ter a mão amiga de um governador que é filho de Ajuricaba, que nãos e dobra ao jugo da escravidão dos forasteiros que aqui chegaram e querem oprimir o povo do estado do Amazonas. Eu prefiro me afogar no rio Negro, no Solimões, no Encontro das Águas, a me entregar a dominadores, que vieram de fora para cá”, continuou.

Defesa de Anabela

Na coletiva de imprensa, o agora pré-candidato saiu em defesa de Anabela Freitas, sua ex-chefe de gabinete presa na operação Erga Omnes, que mirou o núcleo político da facção criminosa Comando Vermelho em sete estados brasileiros na última semana.

David Almeida afirmou que a operação era “tão autêntica quanto uma nota de R$ 300” e que questionou a falta de apreensão de dinheiro ou drogas em uma ação que alvejava uma facção criminosa. O prefeito de Manaus também fez críticas ao delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, o chamando de “covarde”.

“No dia da operação, ele faz uma live 5 da manhã para anunciar para o bandido que ele está chegando. O bandido vai embora, ele [o delegado] vai para a casa de uma colega dele de polícia, de uma mulher que é servidora pública decente, honrada. Olha as narrativas: não apreendeu nada. Ele tem três investigadores para fazer uma investigação em sete estados. Alguém falou nome de traficante? Alguém falou nome de Comando Vermelho?”, disse.

O prefeito David Almeida afirmou que a operação se transformou em algo para tentar sujar seu nome e questionou que culpa tinha “de comprar passagem numa agência de viagem que me foi indicada pelo vice-governador Tadeu de Souza”, em referência à empresa de Alcir Quiroga Júnior, um dos presos na Erga Omnes, que emitiu as passagens para a viagem ao Caribe no último ano.

“Se é por causa das passagens, então vejam todo mundo que comprou passagem com ele, mas só pegaram a Anabela porque “a Anabela é secretária do David”. Operação feito dentro do governo do Wilson Lima. Vocês lembram que lá atrás, o governo fez uma operação em que ligava o meu nome ao tráfico? Um dossiê da secretaria de inteligência tão ‘fanta’ quanto essa operação”, continuou.

David Almeida afirmou ainda que já sabia da Erga Omnes desde 24 de outubro do ano passado. Segundo ele, a informação foi compartilhada na residência do senador Omar Aziz (PSD), o que fez com que ele se sentisse intimidado e recusasse do apoio ao parlamentar para o governo.

“O que está acontecendo é que o Estado está sendo instrumentalizado para me atingir politicamente. Cadê o traficante? Que operação é essa que não apresenta o líder do tráfico do Comando Vermelho? Se você for ver a decisão que saiu agora, não tem nem o crime porque ela está presa. Até hoje a gente não conseguiu nem acessar os autos para pedir para a Anabela, mas tem agentes do Comando Vermelho dentro dos órgãos de imprensa que já vazaram. Como conseguiram informações que estão dentro do processo se nós da defesa não sabemos o que está lá dentro? Isso é uma cortina de fumaça”, criticou.

O prefeito lembrou ainda que a gestão Wilson Lima foi alvo de 11 operações da Polícia Federal (PF) e que, segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador seria “o chefe de uma quadrilha, de uma organização criminosa da qual pertence esse delegado e o secretário de segurança [Vinicius Almeida]”.

Resposta

Em nota, o governo do Amazonas afirmou que “repudia com veemência as declarações feitas pelo prefeito David Almeida, que optou por atacar o governo, o governador do estado e as forças de segurança pública de forma irresponsável e sem qualquer comprovação”.

“É inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos”, afirmaram.

A nota destacou ainda que a Polícia Civil do Amazonas não age por motivação política, mas com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica e que todas as medidas adotadas seguem o devido processo legal “e eventuais prisões só ocorrem com autorização do Poder Judiciário”.

“O momento exige equilíbrio e maturidade. É compreensível que o prefeito esteja abalado diante das circunstâncias que envolvem pessoas de sua confiança, em investigações relacionadas ao crime organizado. Porém, o Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais”, ressaltou.

A reportagem também procurou a assessoria do senador Omar Aziz em busca de uma manifestação sobre as falas de David Almeida e aguarda.

Fonte: Acrítica