Caminhoneiros ameaçam paralisação nacional por preço do diesel

FREDERICO BRASIL/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Caminhoneiros de diferentes regiões do país voltaram a alertar o governo federal sobre a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias. A insatisfação cresce diante da escalada do preço do diesel e da avaliação de que as medidas anunciadas pelo governo para conter o impacto do combustível não surtiram efeito.

Além disso, a categoria afirma que os reajustes recentes prejudicaram ainda mais o setor, aumentando os custos de transporte e pressionando os motoristas autônomos e profissionais vinculados a empresas de transporte.

Assembleias e mobilização

Nesta segunda-feira (16), lideranças do setor aprovaram a mobilização após assembleia no Porto de Santos (SP). A data exata ainda não foi definida, mas alguns integrantes defendem o início do movimento já nesta semana.

Além disso, um comunicado oficial deve ser encaminhado ao Palácio do Planalto ainda nesta terça-feira (17), reforçando a pressão sobre o governo para atender às demandas do setor.

Reajustes e medidas do governo

Na semana passada, o governo anunciou um pacote para aliviar o setor em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. A União zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou uma subvenção para reduzir os preços nas bombas e anunciou mudanças na fiscalização.

No entanto, a Petrobras reajustou o combustível, o que, segundo caminhoneiros, anulou parte do efeito das medidas. Além disso, a categoria afirma que parte do benefício ficou retida na cadeia de distribuição e critica a fiscalização insuficiente.

“Em cada dois quilômetros você encontra um preço diferente. O governo precisa fiscalizar distribuidoras e revendedoras de uma outra forma”, disse Wallace Landim, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores).

Principais demandas da categoria

A insatisfação reflete a ausência de medidas estruturais que garantam previsibilidade ao setor. Entre as principais reivindicações estão:

  • Redução coordenada do ICMS pelos estados;
  • Reforço na fiscalização dos preços;
  • Revisão de pedágios;
  • Garantia do cumprimento do piso mínimo de frete.

O movimento é puxado principalmente por caminhoneiros autônomos, mas associações afirmam que pode ganhar adesão de motoristas de aplicativo e transporte escolar.

Espaço para negociação

Apesar do tom crítico, lideranças afirmam que ainda há espaço para diálogo. Representantes da categoria mantêm conversas com integrantes do governo, incluindo a Casa Civil, na tentativa de evitar a paralisação.

Fonte: Em Tempo