Eduardo Bolsonaro diz à PF que fala sobre ruptura foi “cogitação incerta”

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“Uma cogitação futura e incerta”. Foi dessa forma que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) definiu, em depoimento à Polícia Federal, sua declaração sobre “ruptura institucional” e “medida enérgica” que, segundo ele deveriam ser adoadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O parlamentar foi confrontado na última terça-feira (22/9), pela frase dita ao blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito dos atos antidemocráticos. O teor do termo do depoimento foi revelado pela emissora CNN Brasil e confirmado pelo Estadão.

Durante um live com Allan dos Santos, Eduardo afirmou que “quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessário uma medida enérgica, ele é que será tachado como ditador. Entendo essa pessoas que querem evitar esse momento de caos, mas falando bem abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opção de se, mas, sim, de quando isso vai ocorrer”.

Confrontado pela PF sobre sua declaração, o filho do presidente afirmou que “foi uma análise de um cenário, e não uma defesa de ideia, que a frase está na esfera de cogitação futura e incerta, que inexiste qualquer tipo de organização voltada para a subversão da ordem democrática”.

“E que o termo ação enérgica não se refere a nenhuma conduta específica, tão somente a uma atuação política mais efetiva. Ressalto ainda que não se trata de medida de intervenção militar ou de interferência em outros poderes”, disse Eduardo Bolsonaro à PF.

“Se” e “quando”

Questionado sobre quais elementos ou dados o levaram a declarar que a “medida enérgica” de Bolsonaro não seria uma questão de “se”, mas de “quando”, o filho do presidente respondeu que a fala foi dita “no contexto dos acontecimentos de divergência entre os poderes Executivo e Judiciário”.

À época, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, havia liberado o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril – em outro processo, o decano encaminhou à PGR notícia-crime que pedia a apreensão do celular do presidente, ação de praxe que provocou forte reação no meio militar.

Eduardo Bolsonaro, porém, acrescentou que “atualmente não acredito que tal ruptura possa ocorrer”. Com informações de Metrópoles.