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Anuário da Segurança revela mudança no perfil da criminalidade no Amazonas

Presidente da Comissão de Segurança Pública da Aleam e da Comissão de Justiça e Segurança Pública da Unale, deputado alerta que redução dos homicídios não significa diminuição da violência e defende fortalecimento da inteligência, combate ao crime organizado e maior presença do Estado no interior.

O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) repercutiu, na manhã desta quinta-feira (23/07), os dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Na avaliação do parlamentar, que preside a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e a Comissão de Justiça e Segurança Pública da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), os números mostram que o Amazonas vive uma transformação no perfil da criminalidade, muito mais do que uma efetiva redução da violência.

Segundo o levantamento, o Amazonas permanece como o 6º estado mais violento do país em Mortes Violentas Intencionais (MVI), enquanto Manaus ocupa a 6ª posição entre as capitais brasileiras. Apesar da expressiva queda de 32,5% nas MVI em relação ao ano anterior, o estado continua entre os mais violentos do Brasil. O Anuário também aponta que o Amazonas registra a 5ª maior taxa nacional de mortes decorrentes de intervenção policial, ocupa a 7ª posição em roubo de celulares e que Manaus aparece como a 7ª capital com maior taxa de roubo e furto de celulares do país.

Para Comandante Dan, esses dados demonstram que a diminuição dos homicídios precisa ser interpretada com cautela e não pode ser confundida com a redução da criminalidade.

“Os indicadores mostram que houve redução das mortes violentas, mas isso não significa que o Amazonas esteja mais seguro. O que estamos observando é uma mudança no comportamento das organizações criminosas. A disputa aberta por territórios diminuiu em algumas regiões, mas, em seu lugar, cresce uma governança criminosa exercida por facções, que passam a controlar comunidades, impor regras, intimidar moradores e ampliar seus negócios ilícitos.”

O parlamentar destaca que essa dinâmica ajuda a explicar a coexistência entre a queda dos homicídios e a permanência do estado entre os piores indicadores do país.

“Quando uma facção consolida sua hegemonia, ela reduz os confrontos armados, mas amplia seu domínio territorial. Isso pode diminuir momentaneamente os homicídios, sem representar uma vitória do Estado sobre o crime organizado. É uma mudança de cenário, e não necessariamente uma melhora da segurança pública.”

Outro ponto que chama atenção, segundo o deputado, é a permanência de elevados índices de crimes patrimoniais e de violência armada. O Amazonas segue entre os estados com maiores taxas de roubo de celulares e apresenta uma das maiores taxas de letalidade policial do Brasil, enquanto Manaus figura entre as capitais mais atingidas pelos roubos e furtos de aparelhos celulares. Para Comandante Dan, esses indicadores revelam que o crime organizado continua altamente ativo e adaptando suas formas de atuação.

Como presidente das comissões de Segurança Pública da Aleam e da Unale, o deputado defende que o enfrentamento desse novo cenário exige políticas públicas integradas e permanentes, com fortalecimento da inteligência policial, ampliação da investigação financeira das organizações criminosas, modernização dos sistemas de videomonitoramento, integração entre forças estaduais, federais e municipais, reforço da presença do Estado nas regiões de fronteira e combate simultâneo ao narcotráfico, ao garimpo ilegal, à grilagem e aos demais mercados ilícitos que financiam as facções criminosas.

“O desafio não é apenas reduzir estatísticas. É recuperar territórios dominados pelo crime, proteger a população e impedir que organizações criminosas substituam o Estado em comunidades inteiras. A segurança pública precisa ser planejada com inteligência, tecnologia, integração institucional e presença permanente do poder público.”

Comandante Dan também ressaltou que os dados do Anuário reforçam a necessidade de ampliar as ações preventivas, especialmente voltadas à infância e à juventude, por meio da melhoria da educação, do fortalecimento das famílias, do esporte, da cultura e de programas de prevenção à violência. Segundo ele, combater o crime organizado exige tanto repressão qualificada quanto investimentos capazes de reduzir a vulnerabilidade social e impedir o recrutamento de novos integrantes pelas facções criminosas.

Veja as posições mais críticas ocupadas pelo Amazonas e por Manaus

Amazonas

  • 6º estado mais violento do Brasil em Mortes Violentas Intencionais (MVI);
  • 5ª maior taxa nacional de mortes decorrentes de intervenção policial (letalidade policial);
  • 7ª maior taxa de roubo de celulares;
  • 7ª maior taxa de roubo e furto de celulares;
  • 10ª maior taxa de roubo de veículos;
  • Redução de 32,5% nas Mortes Violentas Intencionais entre 2024 e 2025, mantendo-se, ainda assim, entre os estados mais violentos do país.

Manaus

  • 6ª capital mais violenta do Brasil, considerando a taxa de Mortes Violentas Intencionais;
  • 7ª maior taxa de roubo e furto de celulares entre as capitais, com 1.107,1 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes;
  • Entre as capitais com as maiores taxas de mortes decorrentes de intervenção policial do país;
  • Entre as capitais com os maiores índices de crimes patrimoniais violentos, especialmente roubos de celulares.