Governo envia a Força Nacional para a fronteira com a Venezuela

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Duas novas portarias foram publicadas pelo governo federal no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (8/1). Ambas dizem respeitoa ao emprego da Força Nacional em Roraima, estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, ao norte do país.

A primeira portaria é assinada pelo ministro da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e autoriza o emprego da Força Nacional de Segurança Pública na capital Boa Vista e no município de Pacaraima, “em apoio aos órgãos de segurança pública do estado, para atuar nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado, por noventa dias”.

Pacaraima é justamente a cidade brasileira que encosta no território venezuelano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 22 mil pessoas são residentes do município que possui 920 m de altitude e é considerado o mais alto de toda a Região Norte do Brasil. Sua origem é recente, de 1997, após desmembramento de Boa Vista, que fica logo ao sul da cidade, a uma distância de cerca de 220km.

A segunda portaria, por sua vez, é assinada por Wolnei Wolff Barreiros, secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, e prorroga o prazo de execução das ações de prevenção também em Boa Vista, até 17 de agosto deste ano.

A reportagem entrou em contato com os ministérios para maiores esclarecimentos acerca das portarias e aguarda retorno.

Do outro lado

Militares da Venezuela se movimentaram na fronteira, na última segunda-feira (5/1), após a chegada do general Roberto Angrizani, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva. O militar estava acompanhado do general Viana Filho, chefe do Comando Militar do Amazonas.

Enquanto o comandante visitava o marco da linha divisória entre Brasil e Venezuela, a fotojornalista Katarine Almeida registrou veículos oficiais venezuelanos com metralhadoras e homens [imagem em destaque].

O material foi cedido ao Metrópoles. “Ali eles podem ficar, não tem problema”, explicou Angrizani aos presentes. Não houve contato verbal entre as forças brasileiras e venezuelanas.